10 lições que tirei de uma viagem à Europa

Em outubro do ano passado, eu e meu namorado (que chamaremos de Zé neste blog) embarcamos com destino a 4 cidades europeias: Paris, Berlim, Lübeck e Madri. Em alguns momentos durante a viagem, fosse na rua ou em casa, eu abria o bloco de notas do celular pra escrever coisas que eu observava, sentia ou aprendia durante esse tempo que ficamos fora.

Esse post surgiu de uma lista que eu fiz quando estávamos numa viagem de 4 horas de ônibus (que acabou se transformando em 6 horas por causa de um acidente na estrada), voltando de Lübeck pra Berlim, e agora decidi desenvolver todos os tópicos pra postar aqui no blog e deixar todas essas lições registradas ❤

 

1. Não ficar tempo demais viajando.

Tá certo que “tempo demais” é muito relativo, né? Nossa viagem durou 17 dias, e agora estamos repensando as próximas pra serem um pouco mais curtas, com uns 10 a 12 dias de duração. Da metade pro final, sentimos que estávamos mais cansados do que com vontade de ver as coisas.

Cortando alguns dias, nós conseguiríamos conhecer bem os destinos, mas não ficar cansados de andar pra cima e pra baixo, com a “obrigação” e o peso mental de sempre ter que explorar locais novos.

Isso é uma coisa que me atormenta de um jeito que nem consigo explicar! Já tive vários pesadelos (juro kkk) em que eu estava viajando pra algum lugar super legal, mas por algum motivo não conseguia fazer os passeios ou visitar os pontos que queria. Coloco muita pressão em mim mesma pra que tudo seja sempre perfeito (pode deixar, minha psicóloga tá trabalhando nisso comigo).

 

2. Ter amigos que podem te apresentar a uma cidade completamente nova é incrível!

O ponto de partida do planejamento dessa viagem foi a ideia de visitar minha amiga, Raquel, em Lübeck, na Alemanha, que foi nosso 3º destino. Lübeck é uma cidade maravilhosa, muito melhor do que eu poderia esperar, mas tenho certeza de que a visita foi ainda mais especial por causa da companhia da Raquel e do noivo dela, o Daniel ❤

Eles mostraram a cidade, literalmente, de ponta a ponta pra gente – tudo a pé, já que ela não é enorme -, e nós vimos cada casa, construção, rua e jardim escondido (Lübeck tem vários desses!) que provavelmente não veríamos se estivéssemos sozinhos.

Ah, e a comida… além de termos experimentado uma das salsichas mais famosas da Alemanha, feita em casa pela Raquel, também comemos marzipan (um doce de amêndoas super típico da cidade, e que muita gente odeia, mas eu adorei), schnitzel (que, simplificando, é uma carne de porco à milanesa, tradicional na Alemanha e na Áustria), mutzen (um doce frito que lembra sonho, e é delicioso) e, por fim, o melhor macarrão que eu já comi na vidaaaa, com molho de cogumelos e tiras de frango. Só de lembrar desse macarrão me dá fome. Espero um dia ter a chance de comer de novo… vai que eu volto em Lübeck e o restaurante não serve mais esse prato? Acho que eu morro.

3. Andar de bicicleta depois de mais de 10 anos sem andar de bicicleta não é como andar de bicicleta.

Quando estávamos planejando nossa ida a Lübeck, falei com a Raquel que queria andar de bicicleta em algum lugar durante a viagem, já que a Europa é cheia de ciclovias e dá pra andar sem se preocupar com acidentes. Foi aí que ela deu a ideia de alugarmos duas bikes com um vizinho dela, que tem uma oficina em casa e empresta as dele pras pessoas.

Cheguei em Lübeck pronta pra pedalar, acreditando muito que ia ser a própria europeia super acostumada a andar do ladinho dos carros… e eu não poderia estar mais errada. Não sei se você sabe, porque eu não sabia, mas acontece que não dá pra voltar a ter total equilíbrio sob duas rodas na primeira tentativa, e até fazer a curva na rua foi difícil pra mim. Nem subir na bicicleta eu conseguia fazer direito. Foi um pesadelo, mas não desisti aí. Decidimos ir até o centro da cidade almoçar, e fomos todos pedalando e, detalhe: na chuva. Outro detalhe: eu estava de óculos. Mais um detalhe: meu All Star branco, novinho, tá até hoje com marcas de lama desse dia.

Esse episódio tinha tudo pra dar errado, mas ficou tudo bem, tirando que eu quase caí várias vezes, não sabia fazer curvas mais fechadas, quase atropelei um casal na calçada, ficava com a perna tremendo de medo, e segurava o guidão com toda a força que conseguia.

No fim, foi uma experiência muito boa e eu faria de novo, com certeza. Pena que não tenho nenhuma foto desses momentos 🤣.

 

4. Nunca pegue uma nota de 500€ na casa de câmbio.

Quando nós fomos comprar os Euros antes de viajar, acabamos pegando duas notas de 500€, sem saber na furada que estávamos entrando. Passamos por Paris tranquilamente, usando o dinheiro mais trocado que tínhamos, mas quando chegamos na Alemanha ficava cada vez mais perto de precisarmos começar a gastar as notas de 500€. O Zé conseguiu trocar a dele na loja H&M, com muita sorte envolvida. Ele estava comprando um casaco de moletom de 15€, e a moça do caixa viu que ele só ia comprar aquilo quando já estava passando o código de barras na máquina e ele quase entregando a nota pra pagar.

Quando chegou a minha vez de trocar a nota, eu não conseguia encontrar nem uma loja que aceitasse, por causa do valor tão alto. Acabou que só consegui fazer isso no aeroporto de Berlim, indo pra nossa conexão em Madri, no guichê de uma casa de câmbio. Imagina meu alívio quando perguntei pra moça se ela podia trocar e ela disse que sim? Meu deus! Só tivemos que pagar uma taxa de 5€, mas podia ser muito pior, né?

5. O outono é a melhor estação.

Contrariando completamente a minha paleta de cores pessoal, Inverno Frio, (kkk) eu sou apaixonada pelas cores do outono! Pra mim, tem algo muito mágico nos tons terrosos, alaranjados, avermelhados e amarelados da estação. Todas as paisagens outonais são lindas de morrer!

Lembro claramente de um momento quando pedalava de bicicleta em Lübeck e passamos por um trecho do caminho que eu só olhava pra frente e pensava “nunca quero esquecer essa imagem, nem o que eu tô sentindo agora”. E não esqueci mesmo. Ainda tenho na minha cabeça exatamente o que vi e vivi nesse instante: do meu lado esquerdo, uma estrada, enquanto do lado direito tinham árvores de copas laranjas e um campo preenchido de folhas caídas, que pareciam pinceladas de cores análogas. Na minha frente, todos os meus amigos também pedalando, e na minha pele corria o vento frio e úmido de chuva, junto com uma breve sensação de estar voando, livre. Toda essa experiência, engatilhada pelo cenário lindo de outono.

Além de toda a beleza, que também deixa as fotos lindas, o clima da estação é ótimo pra viajar pro hemisfério norte, já que é um frio, mas não aquele de congelar, e o sol ainda dá as caras. Depois dessa viagem, decidi que agora só viajo no outono ❤

 

6. Conhecer mercados é uma das coisas mais interessantes de se fazer em outro país.

O principal motivo pra eu gostar tanto de viajar é conhecer uma cultura diferente da que eu vivo todos os dias, e, pra mim, “cultura” é uma grande mistura de língua, costumes, gastronomia, moda, lifestyle, trabalho, arquitetura, lazer, e até transporte. Por isso, conhecer mercados é uma das minhas coisas favoritas de fazer numa viagem.

Esse é um jeito muito eficiente de entender a cultura de um lugar, já que é onde as pessoas nativas compram boa parte de tudo o que consomem no dia a dia. Na Europa, o que eu mais gosto de observar nesses locais é a comida. Ver marcas, produtos e preços diferentes pelas prateleiras é um passatempo muito divertido pra mim. E, claro, não dá pra sair sem comprar algumas coisinhas pra experimentar.

7. Você pode não gostar de uma cidade que visitar, e tá tudo bem.

Como posso começar a descrever Berlim? Essa cidade é linda e historicamente incrível… e pra mim acaba aí. Nem eu, nem Zé nos identificamos com Berlim, e também achamos que não fomos muito bem tratados por lá. Com as experiências que tivemos, achamos as pessoas muito mal educadas, que o lugar tem uma energia um tanto pesada e estranha, e que parece uma cidade fantasma, porque em vários lugares, e em vários horários diferentes, que passeamos por lá, as ruas eram estranhamente desertas. Porém, o lado histórico da cidade é indescritível. É impossível andar por aquelas ruas e ignorar tudo o que já aconteceu ali nas épocas passadas.

 

8. E, às vezes, você acaba amando uma cidade da qual não esperava muito.

Confesso que a Espanha nunca foi um item na minha lista de destinos pra conhecer, mas depois de ter passado um dia na capital, isso mudou completamente. Não sei se foi o choque da Alemanha, onde me senti meio esquisita, ou se a cidade realmente é incrível (do que eu não duvido), mas Madri ganhou meu coração. As ruas lindas do Centro, a arquitetura imponente e conservada, a organização e as pessoas mega simpáticas me deixaram morrendo de vontade de voltar e conhecer cada canto da cidade.

9. É possível fazer uma viagem internacional sem gastar rios de dinheiro.

Quando começamos a pensar nessa viagem, eu tive uma realização: “e se eu viajasse só com o objetivo de passear?”. Sei que parece uma coisa muito óbvia, mas sempre tive na minha cabeça que viajar era sinônimo de compras. Não sei se é por causa da cultura do brasileiro de que tem que viajar pra “aproveitar o preço lá de fora, que é menor”, ou se é o contexto social em que eu tô inserida que me fez pensar assim. Ou os dois juntos, talvez?

Então, depois dessa ~epifania turística~, passei a pensar nessa viagem olhando só pra parte cultural, daí comecei a planejar tudo e vi que seria muito mais acessível do que eu pensava. Tá nos meus planos fazer um post sobre como planejar uma viagem sozinho, dentro de um orçamento 🙂 Acho o meu método muito eficiente e realista kkk

 

10. E também é possível fazer uma longa viagem internacional só com mala de mão!

Pra aliviar os gastos da viagem, nós decidimos que só levaríamos malas de mão, e só na volta pro Brasil despacharíamos uma mala maior. Levei roupas e itens pessoais até quase estourar o peso permitido e, ao longo dos dias, ainda cheguei à conclusão de que levei coisas demais.

Não, eu não precisava de uma blusa pra cada dia, nem de duas calças jeans, nem de uma infinidade de meias, e fica esse aprendizado pra próxima. Uma coisa que eu recomendo é: leve pelo menos 2 pares de sapatos. Pode ir com um no pé e levar outro na mala. As chances de um deles te machucar e você ter que usar o outro pelo resto da viagem são grandes (e foi o que aconteceu comigo kkk). Ah, e leve sapatos que você já usou bastante e sabe que não vão incomodar os pés! Mais do que isso não é necessário, ninguém vai reparar nos seus pés.

Mas, bom, e sobre a mala despachada na volta? Como fomos na casa da minha amiga, em Lübeck, combinei com ela antes que pegaria uma mala emprestada pra voltarmos com uma folguinha nas de mão e nas mochilas. Nós compramos algumas roupas e uns cacarecos (amo), e o Zé ainda trouxe um Oculus Rift com a caixa ENORME dele, por isso esse esquema foi ótimo. Se tivéssemos comprado menos e levado menos roupas, as malas de mão seriam mais que suficientes.